Ostereier-Griechenland

Ovos e ovos

Acredite ou não, mas diz-se que originalmente os famosos (e hoje deliciosos) ovos de páscoa, dentre outros significados, representavam um túmulo vazio. Ou seja, como a Páscoa celebra a ressurreição de Cristo, representavam a não presença de seu corpo em seu túmulo. Diz-se também que o ovo surgiu em antigas tradições como símbolo do início da vida e da vida como um todo.

Com o passar do tempo, este símbolo foi sendo utilizado em diferentes rituais (como por exemplo a troca de ovos de galinha pintados de vermelho, representando o sangue de Cristo) e evoluiu, graças ao capitalismo, ao que conhecemos hoje.

Em alguns países ainda é mantida a tradição de pintar ovos de galinha cozidos para as divertidas “caças aos ovos”, mesmo que juntamente com o novo costume de trocas de ovos de chocolate. Já no Brasil, o mais comum é apenas presentar aos que amamos com irresistíveis ovos de chocolate. E eu, como chocólatra assumida, não posso reclamar!

Entretanto, a cada ano que passa, os ovos industrializados têm ficado mais caros e com menor qualidade. Por isso, tenho valorizado cada vez mais o pequeno empreendedor e optado por ovos artesanais, e confesso: não tenho me arrependido.

Outra opção para driblar os altos preços dos ovos nas lojas e supermercados é arriscar de fazer seus próprios ovos e chocolates, e o que não falta na internet são dicas e receitas para testar!
Deixo algumas dicas abaixo…

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Para quem é de Belo Horizonte, segue minha lista de lugares preferidos que fazem ovos de colher ou recheados, artesanais:

1 – Fany Bombons – A tradicional e considerada uma das melhores casas de doces da cidade, criou ovos de colher com recheio das suas tradicionais tortas. O ovo da renomada torta de chocolate é a melhor pedida!

2 – Doce Que Seja Doce – Neste ano o pessoal da Doce Que Seja Doce deu a opção de os clientes montarem seus próprios ovos de acordo com os ingredientes disponíveis em sua cozinha. Mas é claro que o ovo inspirado na famosa torta “Matilda” não tem erro!

3 – Doce Vânia  – Este foi o primeiro ano que provei os ovos da Vânia e da Vanessa e já me apaixonei! Difícil mesmo é conseguir escolher os sabores, hehe.

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Para testar suas habilidades na cozinha e arriscar de fazer seus próprios ovos nessa páscoa, indico abaixo alguns canais do YouTube com várias receitas de ovos. Como as receitas são feitas em vídeos, é mais fácil de acompanhar e nos deixa um pouco mais confiantes na hora de colocar a mão na massa:

1 – Danielle Noce – As receitas dela geralmente são um pouco mais rebuscadas, mas ela sempre explica tudo direitinho e dá várias dicas para fazer bem!

2 – Gabriela Rossi, da Cozinha do Bom Gosto – Ela tem diversas receitas de ovos, que são bem simples de fazer.

3 – Caio Novaes, do Ana Maria Brogui – Ele sempre faz várias receitas de pratos e guloseimas famosas de jeitos muito fáceis. Para a páscoa, está ensinando como fazer os ovos mais requisitados!

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Ah, e não podia me esquecer! Para que é de Belo Horizonte também, e precisa de acessórios e ingredientes, indico algumas lojas que oferecem grande variedade:

1 – A Maria Chocolate, que é um paraíso de acessórios e oferece diversos cursos de confeitaria;

2 – A Chokonobre, que tem a mesma proposta que a Maria Chocolate e oferece cursos, além de vender materiais e ingredientes.

Uma Feliz e doce Páscoa a todos!

Fonte das imagens: Google Imagens

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Identidade

Será que a identidade é algo tão previsível ou, pelo contrário, algo mutável? Prefiro pensar na segunda hipótese. Na realidade, tenho certeza que é o que ocorre: não somos sempre as mesmas pessoas, com os mesmos pensamentos e com as mesmas atitudes.

Claro, há certa regularidade em nossa personalidade e certa repetição em nossos comportamentos mas, sem dúvida, somos seres mutantes.

Há um famoso autor na teoria da psicologia social, chamado Antônio da Costa Ciampa, cujos trabalhos sobre a categoria “identidade” são extensos e, ao meu ver, extremamente valiosos. Para esse autor, a identidade pode ser entendida como um processo de metamorfose permanente, cuja dimensão temporal envolve diferentes momentos.

Como exemplo, o presente é o momento em que alguém se reconhece como um adulto que pode falar da criança que foi no passado – sua história de vida – e também do velho que gostaria de ser no futuro – seu projeto de vida – como forma de falar de si mesmo. Ou seja, estamos em constante movimento pois, mesmo em um momento estanque, revivemos o passado ou projetamos o nosso futuro. E todos os acontecimentos em nossa vida – dos mais cotidianos e “banais” aos mais profundos e existenciais – nos afetam e, desse modo, nos alteram.

Podemos compreender melhor a identidade de um sujeito, por exemplo, quando nos remetemos ao ato de nascer. Mesmo antes do nascimento de alguém, esse alguém já existe e, portanto, já possui uma “identidade”, uma vez que todas as expectativas dele já foram pré-concebidas pelos seus pais e familiares. Antes mesmos de nascermos, já temos uma identidade mas que, sem dúvida, será alterada e ressignificada ao longo de nossa vida.

Tudo repercute em nós: a sociedade em que estamos inseridos, as relações sociais nas quais estamos envolvidos, além de aspectos próprios da cultura e de nossa experiência humana, tais como religião, gênero, etnia, trabalho, sexualidade, entre outros.

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A identidade é uma categoria amplamente discutida e reavaliada por diversos teóricos e diferentes áreas do conhecimento, porém algo primordial que podemos concluir sobre esse conceito é o seguinte:  a nossa identidade é constantemente transformada e, assim, vivemos em uma constante metamorfose. E precisamos que seja assim. Que bom que podemos nos reinventar, nos arrepender e, sobretudo, evoluirmos.

Concordo, portanto, com o poeta Raul Seixas:

“Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes:
Prefiro ser essa metamorfose ambulante”.

Fonte da imagem: Fotógrafo Talyor James (primeira) e Google Imagens (segunda).

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Voluntariado sem fronteiras

    Desde criança sou apaixonada por serviços sociais e sempre desejei, de alguma maneira ajudar quem precisava. Fazer um voluntariado fora do país, conhecer outra cultura e estar fora da minha zona de conforto sempre foi um sonho mas, tal sonho sempre me pareceu muito distante. Até que em 2013 fui passar incríveis 4 meses em Lima, Peru.

     Fiquei hospedada na Comunidade Missionária de Villaregia, localizada na vila Mariano Melgar, periferia de Lima. Nenhuma das inúmeras fotos e depoimentos sobre o lugar haviam me dado a real a dimensão do que realmente foi estar lá.

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      Nunca estive diante de um contraste social tão forte. Ao desembarcar no centro de Lima fiquei impressionada com a riqueza arquitetônica e perguntei-me onde estava toda pobreza da qual ouvi falar. Entretanto, a medida em que o carro afastava-se do centro, a paisagem foi mudando drasticamente. O horizonte tornou-se  totalmente cinza e não havia vegetação por quilômetros a fio. Tudo o que eu via era areia e cachorros. Foi um grande choque.

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    Somado a isso havia a barreira da timidez. Apesar de adorar conversar e conhecer pessoas, sou tímida e dificilmente dou o primeiro passo em uma conversa. Ao desembarcar em Lima, precisei esvair-me da timidez e tentar dialogar com meu precário espanhol. Todavia, a hospitalidade dos missionários que me acolheram e dos peruanos em geral, logo fez com que eu ficasse a vontade. Não conhecer ninguém realmente foi difícil no início porém, favoreceu para que eu me abrisse 100% ao outro.

   Nesses 4 meses fiz diversos trabalhos: ajudei em creches, comedouros (similares aos nossos restaurantes populares) e farmácias, descarreguei conteiners,  dei aulas de Português a missionários que viriam ao Brasil, atuei como fisioterapeuta, ajudei a construir casas,  participei do grupo de jovens e colaborei em trabalhos de evangelização.

    O tempo que eu passava “em casa” também era muito produtivo. Aprendi muito sobre viver em comunidade: desde coisas simples como dividir o quarto e o banheiro com mais 17 mulheres que tinham hábitos completamente diferentes dos meus, até a situações um pouco mais complexas, como  resolver divergências do cotidiano. A casa na qual fui acolhida tinha italianos, mexicanos, espanhóis, africanos, porto riquenhos e claro, peruano. Era uma mistura de idiomas, sotaques, hábitos e culturas mas, juntos num único propósito de sermos agente da transformação. Construí belas amizades. Conheço uma musica que define bem nossa convivência nesse período, e ela diz: “Línguas diferentes, mesmo sentimentos, fazendo de nós um só.”

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     O voluntariado tem um potencial transformador indescritível. Acredito que quem se voluntaria ganha muito mais do que quem recebe o “serviço”. O sorriso de quem é beneficiado pelo seu trabalho é maior do que qualquer salário. Conhecer outra cultura e descobrir novos horizontes é uma oportunidade rara de expandir os horizontes, tornar-se mais engajado e trazer um impacto positivo, ainda que a uma pequena parcela da sociedade.

     Ter sido voluntaria em Lima foi uma experiência única e que mudou  definitivamente minha vida.

Fonte das imagens: Arquivo pessoal da autora do texto, Silvana Duarte.

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