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Identidade

Será que a identidade é algo tão previsível ou, pelo contrário, algo mutável? Prefiro pensar na segunda hipótese. Na realidade, tenho certeza que é o que ocorre: não somos sempre as mesmas pessoas, com os mesmos pensamentos e com as mesmas atitudes.

Claro, há certa regularidade em nossa personalidade e certa repetição em nossos comportamentos mas, sem dúvida, somos seres mutantes.

Há um famoso autor na teoria da psicologia social, chamado Antônio da Costa Ciampa, cujos trabalhos sobre a categoria “identidade” são extensos e, ao meu ver, extremamente valiosos. Para esse autor, a identidade pode ser entendida como um processo de metamorfose permanente, cuja dimensão temporal envolve diferentes momentos.

Como exemplo, o presente é o momento em que alguém se reconhece como um adulto que pode falar da criança que foi no passado – sua história de vida – e também do velho que gostaria de ser no futuro – seu projeto de vida – como forma de falar de si mesmo. Ou seja, estamos em constante movimento pois, mesmo em um momento estanque, revivemos o passado ou projetamos o nosso futuro. E todos os acontecimentos em nossa vida – dos mais cotidianos e “banais” aos mais profundos e existenciais – nos afetam e, desse modo, nos alteram.

Podemos compreender melhor a identidade de um sujeito, por exemplo, quando nos remetemos ao ato de nascer. Mesmo antes do nascimento de alguém, esse alguém já existe e, portanto, já possui uma “identidade”, uma vez que todas as expectativas dele já foram pré-concebidas pelos seus pais e familiares. Antes mesmos de nascermos, já temos uma identidade mas que, sem dúvida, será alterada e ressignificada ao longo de nossa vida.

Tudo repercute em nós: a sociedade em que estamos inseridos, as relações sociais nas quais estamos envolvidos, além de aspectos próprios da cultura e de nossa experiência humana, tais como religião, gênero, etnia, trabalho, sexualidade, entre outros.

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A identidade é uma categoria amplamente discutida e reavaliada por diversos teóricos e diferentes áreas do conhecimento, porém algo primordial que podemos concluir sobre esse conceito é o seguinte:  a nossa identidade é constantemente transformada e, assim, vivemos em uma constante metamorfose. E precisamos que seja assim. Que bom que podemos nos reinventar, nos arrepender e, sobretudo, evoluirmos.

Concordo, portanto, com o poeta Raul Seixas:

“Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes:
Prefiro ser essa metamorfose ambulante”.

Fonte da imagem: Fotógrafo Talyor James (primeira) e Google Imagens (segunda).

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Voluntariado sem fronteiras

    Desde criança sou apaixonada por serviços sociais e sempre desejei, de alguma maneira ajudar quem precisava. Fazer um voluntariado fora do país, conhecer outra cultura e estar fora da minha zona de conforto sempre foi um sonho mas, tal sonho sempre me pareceu muito distante. Até que em 2013 fui passar incríveis 4 meses em Lima, Peru.

     Fiquei hospedada na Comunidade Missionária de Villaregia, localizada na vila Mariano Melgar, periferia de Lima. Nenhuma das inúmeras fotos e depoimentos sobre o lugar haviam me dado a real a dimensão do que realmente foi estar lá.

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      Nunca estive diante de um contraste social tão forte. Ao desembarcar no centro de Lima fiquei impressionada com a riqueza arquitetônica e perguntei-me onde estava toda pobreza da qual ouvi falar. Entretanto, a medida em que o carro afastava-se do centro, a paisagem foi mudando drasticamente. O horizonte tornou-se  totalmente cinza e não havia vegetação por quilômetros a fio. Tudo o que eu via era areia e cachorros. Foi um grande choque.

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    Somado a isso havia a barreira da timidez. Apesar de adorar conversar e conhecer pessoas, sou tímida e dificilmente dou o primeiro passo em uma conversa. Ao desembarcar em Lima, precisei esvair-me da timidez e tentar dialogar com meu precário espanhol. Todavia, a hospitalidade dos missionários que me acolheram e dos peruanos em geral, logo fez com que eu ficasse a vontade. Não conhecer ninguém realmente foi difícil no início porém, favoreceu para que eu me abrisse 100% ao outro.

   Nesses 4 meses fiz diversos trabalhos: ajudei em creches, comedouros (similares aos nossos restaurantes populares) e farmácias, descarreguei conteiners,  dei aulas de Português a missionários que viriam ao Brasil, atuei como fisioterapeuta, ajudei a construir casas,  participei do grupo de jovens e colaborei em trabalhos de evangelização.

    O tempo que eu passava “em casa” também era muito produtivo. Aprendi muito sobre viver em comunidade: desde coisas simples como dividir o quarto e o banheiro com mais 17 mulheres que tinham hábitos completamente diferentes dos meus, até a situações um pouco mais complexas, como  resolver divergências do cotidiano. A casa na qual fui acolhida tinha italianos, mexicanos, espanhóis, africanos, porto riquenhos e claro, peruano. Era uma mistura de idiomas, sotaques, hábitos e culturas mas, juntos num único propósito de sermos agente da transformação. Construí belas amizades. Conheço uma musica que define bem nossa convivência nesse período, e ela diz: “Línguas diferentes, mesmo sentimentos, fazendo de nós um só.”

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     O voluntariado tem um potencial transformador indescritível. Acredito que quem se voluntaria ganha muito mais do que quem recebe o “serviço”. O sorriso de quem é beneficiado pelo seu trabalho é maior do que qualquer salário. Conhecer outra cultura e descobrir novos horizontes é uma oportunidade rara de expandir os horizontes, tornar-se mais engajado e trazer um impacto positivo, ainda que a uma pequena parcela da sociedade.

     Ter sido voluntaria em Lima foi uma experiência única e que mudou  definitivamente minha vida.

Fonte das imagens: Arquivo pessoal da autora do texto, Silvana Duarte.

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Resenha: Amor nas Entrelinhas de Katie Fforde

Características:
Título em português: Amor nas Entrelinhas
Título original: Love Letters
Autor (a): Katie Fforde
Número de páginas: 399
Minha edição é número: 1 | ano 2014
Tradução: Marilene Tombini
Editora no Brasil: Record
Ano da primeira publicação: 2009
Site da autora: www.katiefforde.com
Onde comprar: Saraiva | Livraria Cultura | Americanas.com

Sinopse:
Prestes a ficar desempregada, Laura Horsley acha que o convite para ajudar na organização de um festival literário veio bem a calhar. Porém, quando recebe a missão de convencer o famoso escritor Dermot Flynn a comparecer ao evento, ela é dominada pelo pânico. Afinal, Dermot é conhecido tanto por seu temperamento difícil e sua reclusão quanto por seus prêmios literários. E também é o escritor favorito de Laura, além de ser extremamente atraente e dono de uma longa lista de conquistas amorosas. Por isso, não é de se surpreender quando ele diz que só irá participar do festival se ela concordar com uma única condição, que pode colocar em risco não só o sucesso do eventos, mas também o coração de Laura.

Quando me deparei com “Amor nas Entrelinhas” na livraria, eu imediatamente me “apeguei” a ele. Foi uma daquelas vezes que a gente logo pensa: “Esse livro vai ser ótimo, tenho certeza”. E não me enganei, eu simplesmente “devorei” o livro em dois dias. Então vamos à história:

Laura é uma mulher inglesa extremamente apaixonada por livros e leitura. Mas também é uma pessoa muito solitária. E para completar, é filha única e seus pais não concordam com sua escolha de carreira. Ela trabalha em uma livraria independente, que está prestes a fechar as portas, deixando-a a beira do desemprego. Ela é bem próxima do dono da livraria, o adorável Henry e o seu melhor (e único, no começo do livro pelo menos) amigo é o seu colega de trabalho, Grant.

É em uma noite de autógrafos na livraria que sua vida começa a mudar, quando conhece a agente literária Eleanora Huckleby. Eleanora fica encantada com os conhecimentos de Laura e decide apresentá-la a sua sobrinha Fenella, que juntamente com o seu marido Rupert, está organizando um festival musical e literário. No começo Laura fica bem receosa de aceitar o convite, afinal, na cabeça dela, não tem a capacidade de organizar um evento dessa magnitude.

Enquanto sua mente vagara, ela se flagrou pensando em de que forma uma sutil mudança, como saber que perderia o emprego, podia desencadear outras pequenas mudanças. Ela ainda tinha um trabalho, não estava desempregada, mas desde que soubera que iria perdê-lo, falara com Eleanora com muito mais liberdade do que teria falado normalmente e havia sido convidada a organizar um festival literário. Depois, saiu com Grant, e em vez de apenas ouvir a banda, ela se levantara, fora dançar e realmente se divertira. Era provável que houvesse um nome científico para isso, como a teoria de que uma borboleta que bate asas no Brasil provoca um furacão em algum outro lugar bem distante. Talvez ela apenas devesse aceitar seu destino e seguir em frente, como Grant diria. Afinal, ir a reunião do festival não significava que ela tivesse que concordar em ajudar a organizá-lo. – página 36

Mas nada é sempre tão fácil, não é mesmo? O milionário Jacob Stone só irá patrocinar o evento se o escritor irlandês Dermot Flynn comparecer. E quem vocês acham que ficou encarregada de convencer Dermot a participar do evento? Isso mesmo, nossa querida Laura. Acontece que ele está em reclusão total e se nega a participar de qualquer coisa há 15 anos. E por coincidência ele é o escritor favorito de Laura. A partir daí ela embarca em uma missão na Irlanda e acaba se envolvendo bastante com Dermot e ele também com ela.

Vê-lo outra vez fez com que ela não parasse de sorrir. Dermot também parecia satisfeito em vê-la. Só por um instante Laura cogitou se havia mais do que só o prazer de encontrar uma amiga no olhar dele ou se era sua imaginação. Ela tinha pouquíssima experiência nisso, e embora sentisse que conhecia Dermot muito melhor agora do que quando o vira pela última vez, eles só haviam se encontrado três vezes e todas elas tinham sido há muito tempo. – página 195

O livro tem uma escrita muito tranquila e fluida, um romance bem leve e apaixonante. A maioria dos personagens são bacanas: Dermot é o tipo de cara garanhão mas que no fundo é sensível (cliché? Sim, mas tá valendo), Grant é o melhor amigo engraçado, Mônica é amiga “pau pra toda obra”, Fenella e Rupert o casal maravilha e Eleanora a agente osso duro de roer, mas que é uma espécie de fada madrinha. Os únicos personagens que eu não gostei, foram os pais de Laura. Eles não aparecem muito na trama, mas quando aparecem eu tenho vontade de dar uns tapas na cara.

Vale a pena a leitura, é o primeiro livro que leio da autora e recomendo bastante. No final do livro você vai estar implorando por uma continuação, pode acreditar.

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