Categoria: Cultura

fasta-1732297_960_720

MÊS JUNINO

Em uma fita VHS antiga me vejo com aproximadamente cinco anos de idade, em plena comemoração de Natal na casa de minha avó paterna, cantando alegremente: “FESTA JUNINAAA”.

Sim, eu sempre amei o Natal, principalmente na hora de me deliciar com os tradicionais “capelettis” feitos pela minha família nessa época. Mas pelo vídeo fica óbvio o quanto, desde pequena, a Junina é minha festa favorita.

Claro que eu adorava as “pausas” na escola para os ensaios da quadrilha, a escolha do vestido e do par para a dança. Mas não era só isso que me atraia e ainda atrai nessa comemoração.

O misto do frio (que adoro!), das comidas gostosas, das bagunças e do jeito despojado e divertido dessa tradição sempre me encantaram! E tem algo melhor que caldo, canjica e quentão no frio?! Sem contar a decoração e os trajes sempre muito coloridos e alegres.

Por mim, ampliavam esse costume de junho para qualquer mês que faça um “friozinho”!

Fotos: Arquivo pessoal Raissa Ferri

10568943_922354027778518_1614957881753536706_n

Voluntariado sem fronteiras

    Desde criança sou apaixonada por serviços sociais e sempre desejei, de alguma maneira ajudar quem precisava. Fazer um voluntariado fora do país, conhecer outra cultura e estar fora da minha zona de conforto sempre foi um sonho mas, tal sonho sempre me pareceu muito distante. Até que em 2013 fui passar incríveis 4 meses em Lima, Peru.

     Fiquei hospedada na Comunidade Missionária de Villaregia, localizada na vila Mariano Melgar, periferia de Lima. Nenhuma das inúmeras fotos e depoimentos sobre o lugar haviam me dado a real a dimensão do que realmente foi estar lá.

IMG-20170323-WA0004

      Nunca estive diante de um contraste social tão forte. Ao desembarcar no centro de Lima fiquei impressionada com a riqueza arquitetônica e perguntei-me onde estava toda pobreza da qual ouvi falar. Entretanto, a medida em que o carro afastava-se do centro, a paisagem foi mudando drasticamente. O horizonte tornou-se  totalmente cinza e não havia vegetação por quilômetros a fio. Tudo o que eu via era areia e cachorros. Foi um grande choque.

IMG-20170323-WA0007

    Somado a isso havia a barreira da timidez. Apesar de adorar conversar e conhecer pessoas, sou tímida e dificilmente dou o primeiro passo em uma conversa. Ao desembarcar em Lima, precisei esvair-me da timidez e tentar dialogar com meu precário espanhol. Todavia, a hospitalidade dos missionários que me acolheram e dos peruanos em geral, logo fez com que eu ficasse a vontade. Não conhecer ninguém realmente foi difícil no início porém, favoreceu para que eu me abrisse 100% ao outro.

   Nesses 4 meses fiz diversos trabalhos: ajudei em creches, comedouros (similares aos nossos restaurantes populares) e farmácias, descarreguei conteiners,  dei aulas de Português a missionários que viriam ao Brasil, atuei como fisioterapeuta, ajudei a construir casas,  participei do grupo de jovens e colaborei em trabalhos de evangelização.

    O tempo que eu passava “em casa” também era muito produtivo. Aprendi muito sobre viver em comunidade: desde coisas simples como dividir o quarto e o banheiro com mais 17 mulheres que tinham hábitos completamente diferentes dos meus, até a situações um pouco mais complexas, como  resolver divergências do cotidiano. A casa na qual fui acolhida tinha italianos, mexicanos, espanhóis, africanos, porto riquenhos e claro, peruano. Era uma mistura de idiomas, sotaques, hábitos e culturas mas, juntos num único propósito de sermos agente da transformação. Construí belas amizades. Conheço uma musica que define bem nossa convivência nesse período, e ela diz: “Línguas diferentes, mesmo sentimentos, fazendo de nós um só.”

IMG-20170323-WA0005

     O voluntariado tem um potencial transformador indescritível. Acredito que quem se voluntaria ganha muito mais do que quem recebe o “serviço”. O sorriso de quem é beneficiado pelo seu trabalho é maior do que qualquer salário. Conhecer outra cultura e descobrir novos horizontes é uma oportunidade rara de expandir os horizontes, tornar-se mais engajado e trazer um impacto positivo, ainda que a uma pequena parcela da sociedade.

     Ter sido voluntaria em Lima foi uma experiência única e que mudou  definitivamente minha vida.

Fonte das imagens: Arquivo pessoal da autora do texto, Silvana Duarte.

PKT_8584_1448467297

Fantasia

   O carnaval é um evento mais antigo do que imaginamos – remete à época antes de Cristo – e é comemorado em diversos países no mundo. No Brasil, o carnaval teve influências da colonização portuguesa, além de elementos trazidos pelos escravos africanos e pelos imigrantes italianos. Alguns desses elementos persistem até os dias de hoje, tais como os desfiles em carros alegóricos de origem europeia e a figura do Rei Momo, que remete a atores portugueses que representavam comédias para entreter e divertir a nobreza.

   No Brasil, a terça-feira de carnaval é feriado nacional e na maior parte do país é estendido até a famigerada quarta-feira de cinzas. Assim, há quem aproveite essa época do ano para descansar, viajar ou até curtir um retiro – espiritual ou não. Mas, sem dúvida, não há como negar, o carnaval nos contagia.

   O carnaval sempre me remete à diversão, brincadeiras e, principalmente, fantasia. O uso das máscaras e fantasias no carnaval difundiu-se no século XIX, sobretudo nos famosos bailes de salões tradicionais e ainda está presente na atualidade, em que as elites – sobretudo carioca – investem muito para que tenham os mais suntuosos e bonitos trajes. Essa tradição também se estendeu aos carnavais de rua, aos “blocos de carnaval” e, sem dúvida, é um dos símbolos do carnaval brasileiro.

   A fantasia possui, para mim, um sentido primordial no carnaval: podermos transformar, mesmo que apenas por alguns instantes, em outras figuras. Essa possibilidade de momentaneamente trocarmos as nossas “identidades” é o que mais me atrai nessa época do ano e é, para mim, a maior diversão no carnaval, além das músicas e danças animadas – no caso brasileiro elas sempre vem com coreografias e os “passinhos” repetidos por muitos.

IMG_20170223_132926

   Seja num bloco carnavalesco de rua nos mais diversos pontos das cidades ou nos locais mais “tradicionais”, tais como os sambódromos nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo para acompanhar as escolas de samba do coração, nas ladeiras de Recife e Olinda em meio a muito frevo e maracatu, ou mesmo nos blocos e camarotes baianos em Salvador, as fantasias estão sempre presentes.

   Existem as fantasias “tradicionais” e mais do que repetidas mas também há no carnaval brasileiro algo peculiar e, para mim, fantástico, que é a capacidade de transformar algo que seria trágico se não fosse cômico: personalidades políticas envolvidas em corrupção e até mesmo tragédias são transformadas em fantasias. Além dessas, não há como esquecer, é claro, os famosos “memes” da época. Ou seja, tudo o que virou notícia no país nessa época – formal ou informalmente – torna-se contexto para uma fantasia de carnaval.

   Há quem diga que o brasileiro possui a capacidade inigualável em transformar tudo em piada – e de forma muito criativa. E como no carnaval as brincadeiras e as piadas são muito incentivadas, não faltam oportunidades.

fantasias 2

   Sendo assim, desejamos a todos os nossos leitores que possam aproveitar esse carnaval da melhor maneira possível – independente onde e como – sendo, pois essa é a verdadeira essência do carnaval.

   E quem sentir-se à vontade, se transforme e se fantasie, com muita criatividade e felicidade!

   Bom carnaval!

   Link para conhecer mais sobre o carnaval: Clique aqui.

Fonte de todas as imagens: Pinterest