Toronto's City Hall, Nathan Phillips Square. (Shutterstock)

Apenas mais um de intercâmbio

Quando as meninas me pediram para fazer um texto sobre minha experiência de intercâmbio no Canadá assim que voltei, empolgada que estava, topei logo de cara. Mas, indecisa que sou, fiquei em dúvida sobre qual linha seguir.

Primeiro, pensei em fazer as clássicas dicas de viagem. Uma lista dos pontos turísticos, lugares onde comer e o básico de como se comportar. Comecei enumerando todos os locais que gostei de visitar, dos óbvios, até os que (eu imaginava) não eram tão óbvios assim. Claro que a lista ficou enorme e não consegui escolher o que eliminar. E, pensando bem, a gente encontra essas dicas fazendo uma pesquisa no Google.

Então, passei para as próximas ideias. Talvez eu poderia contar o porquê escolhi o Canadá, mais especificamente Toronto, e sobre o processo dessa escolha. Mas, um monte de gente já fez isso e, está lá, no Google.

E se eu fizer uma lista do porque é importante fazer um intercâmbio? Google. Mas se for uma lista do que eu aprendi fazendo um intercâmbio? Ok, mais pessoal, mas já não tem um monte de blog falando sobre esses mesmos aprendizados no Google?

Ah, já sei, e se eu falar sobre o meu crescimento pessoal, como isso me ensinou sobre tolerância, respeito e sobre como nossas crenças condicionam nossa visão de mundo? Isso! Esse seria o caminho. E foi. Até metade.

Depois de todas as tentativas e textos não finalizados, cheguei à conclusão de que provavelmente nada do que eu escreva vai ser necessariamente uma novidade.

Quem nunca decidiu fazer um intercâmbio para sair da zona de conforto? Porque queria viver uma experiência nova, diferente? E quem desses que se arriscaram não sentiu medo e aquele frio na barriga, justamente porque seria tudo diferente do que estava acostumado? E quem não achou que estava fazendo alguma coisa pela primeira vez no mundo, mas que na verdade já foi feita outras tantas?

É, a vida se repete e a gente segue reinventando a roda…

Quem sabe já não existiu quem tivesse ido com a amiga na praia para curtir a paisagem e o clima de tranquilidade e as duas dormiram sentadas na cadeira, enquanto as mochilas ficaram de lado com os pertences, incluindo carteira e celular, num país estrangeiro?

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Ou quem não foi naquela ponte, porque o amigo sugeriu que era um lugar legal pelas fotos que viu e descobriu que ela é bem menor do que imaginavam? E quem não viveu a experiência de dividir o Uber (troque por táxi, se quiser) com três mexicanos malucos que renderam um dos principais jargões da turma durante a viagem?

Quem não fez um amigo que foi “expulso” de casa depois que o contrato da homestay acabou? Ou não ouviu a professora ficar surpresa quando descobriu que uma galinha não é um mamífero?

Quem não se lembra de ficar especulando com o pessoal que conheceu na excursão sobre os motivos daquele cara figura ter ido com a mãe?  Ou daquele dia que ficou até tarde sentado com os amigos no parque em frente de casa só curtindo a companhia, porque estava chegando a hora de ir embora?

Se você se identificou com uma dessas histórias pode não ter sido mera coincidência. Mas, se não, certamente se lembrou de algum momento na sua vida digno de ser contado.

Sim, os personagens podem ter sido outros, a sequência dos fatos com certeza não foi igual e, claro, o olhar de cada um que vive uma experiência, por mais comum que seja, faz com que ela seja única.

O importante é que de tudo, sobram essas histórias para contar, que você vai compartilhar com sua família, seus amigos, colegas de trabalho. Essas histórias que vão te deixar com uma imensa saudade e que talvez você nunca se canse de lembrar e repetir, mesmo que te digam “para que tá feio’”.

Diferente dos outros, eu termino esse texto para dizer que a vida é, sim, feita dos grandes acontecimentos – a viagem, o intercâmbio, a faculdade, a festa de formatura, etc. – mas a grande beleza mesmo está nas pequenas coisas que acontecem no meio disso. Clichê? Sim, só que agora ele é mais um nesse imenso oceano chamado Google.

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Juliane Gomes

27 anos, publicitária. De vez em quando brinco de escrever, mas na maioria das vezes escrevo a sério. Para algumas coisas sou prática e objetiva. Mas também sou mineira da prosa, então se eu tiver que te contar um caso, adeus objetividade. Tenho muitos e variados interesses, se falar de um, vou me lembrar de outro, de outro e talvez daquele outro também, aí o papo vai longe... melhor ir parando por aqui.

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