Mastectomia: e agora?

         Um dos marcos do último mês foi Outubro Rosa. A data é celebrada anualmente, com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama  e proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento.

            Receber o diagnóstico de câncer de mama é uma notícia devastadora e causa fortes impactos na vida das pessoas. O tratamento utilizado irá depender da extensão e das características da doença.  Nos casos em que o câncer encontra-se em um estágio avançado, a realização da mastectomia, temida por tantas mulheres, acaba sendo inevitável para o tratamento da doença.

        A paciente e sua família são então inundadas por emoções como sofrimento, medo, raiva, angústia e ansiedade. A perda dos seios, um órgão característico da feminilidade, afeta não apenas o físico mas principalmente o emocional feminino. Nos tornamos menos mulheres? Ficamos feias? Será que ele continuara me amando, me desejando? E meus filhos? Vou poder voltar ao trabalho?

            Como exemplo de superação trouxemos a história de Eve Gentry, dançarina, coreógrafa e uma das professoras da primeira geração, conhecidos como elders – que estudaram e trabalharam diretamente com Joseph Pilates.

            Eve Gentry nasceu no ano de 1909 em San Bernardino, Califórnia e ainda jovem começou a estudar balé, folk e dança de salão. Em 1928 mudou-se para Los Angeles afim estudar dança moderna e seu talento chamou a  atenção da famosa Martha Graham, bailarina e coreógrafa que revolucionou a dança moderna. Martha ofereceu a Eve uma bolsa de estudos e essa mudou-se para Nova York em 1936.

Pilates 1

                 A total dedicação de Eve a dança fazia com ela sofresse constantes dores nas costas e joelhos até que em 1944  Martha sugeriu que ela procurasse seu amigo Joseph Pilates. Martha enviava muitos de seus alunos ao estúdio de Joseph afim de que eles melhorassem seu desempenho nos palcos.

            Eve praticou Pilates com Joseph por 10 anos e teve uma notória  melhora nos palcos. Ela traçava uma brilhante carreira de dançarina e coreógrafa até que em 1955, foi surpreendida com o diagnóstico de câncer de mama. O procedimento padrão da época era a mastectomia radical  que remove junto com a  mama os músculos peitoral maior  e peitoral menor, impossibilitando a elevação do braço no pós operatório. Para uma bailarina tal sequela era terrível pois representaria o fim de sua carreira.

Pilates 2

            Apesar desse fato, Eve retornou as suas aulas de Pilates e Joseph realizou com ela um trabalho individualizado, obtendo ótimos resultados. Após um ano de treinos intensos Eve havia restaurando totalmente seu arco de movimento, força e função dos seus membros superiores.

            Eles então resolveram filmar a série de exercícios executados por Eve para mostrar ao hospital que a prática de Pilates poderia ser uma grande aliada a reabilitação das mulheres mastectomizadas. O hospital acusou-os de mentirosos e então Eve filmou novamente a sequência de exercícios sem camisa , para comprovar que ela de fato havia recuperado totalmente seus movimentos com a prática de Pilates. Em 1968 ela mudou-se para Santa Fe, Novo México onde abriu seu próprio estúdio de Pilates. Eve faleceu em 1994 aos 84 anos.

            A reabilitação funcional  é uma  parte muito importante na recuperação de mulheres mastectomizadas e o fisioterapeuta, especialista em movimento, é um profissional apto a auxilia-las no  reconhecimento e  na aceitação de sua nova imagem, e no retorno gradual às suas atividades após a cirurgia. O principal recurso usado pela fisioterapia é a cinesioterapia (reabilitação através de exercícios orientados) e o uso método Pilates vem se destacando pela sua abordagem global na recuperação dessas mulheres, incluindo a recuperação da auto estima e de uma imagem corporal ativa.

            Assim como feito por Eve e por  tantas outras guerreiras, o mais importante é nunca desistir de nos mesmas!  Sempre temos a chance de um novo começo!

 

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Colorir: muito mais que um passatempo

Quando a febre dos livros de colorir chegou ao Brasil, fiquei super empolgada! Porque colorir me remete à infância, e quem não gosta de relembrar seus tempos de criança de vez em quando? Ganhei diversos livros e comprei vários lápis de colorir e canetinhas, mas como trabalhava o dia todo, sobrava pouco tempo para colorir. Nos fins de semana eu até tentava, mas sempre dava prioridade a outras programações.

Recentemente, trabalhando em horário muito mais flexível, tive a oportunidade de aproveitar os momentos livres para voltar a colorir. E não é que me ajudou muito no dia a dia?

Muita gente acha que passar horas, ou minutos que seja colorindo, é perda de tempo. Mas pessoalmente, acredito que seja exatamente o oposto disso, se for uma coisa que você gosta de fazer. Eu andava bastante irritada com algumas situações que estavam ocorrendo à minha volta e colorir me ajudou bastante a aliviar o estresse.

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Quando estou colorindo, parece até que emerjo em um outro mundo. Um mundo do silêncio, da concentração, da criatividade, das cores… Esqueço-me de todos os problemas à minha volta (e às vezes parece até que perco a audição, pois não ouço nada mais). Concentro nos meus próprios pensamentos e reflito sobre o que está errado e o que posso fazer para melhorar na vida, enquanto escolho os tons de lápis de cor que vou usar.

Outras pessoas acreditam que é dinheiro gasto à toa. Mas garanto que não! Hoje em dia encontramos lindos livros em promoção, além de lápis de cor de boas marcas. E se é algo que você gosta, vale à pena investir, já que colorir é muito mais que um passatempo. Para quem tem paciência, é também uma atividade terapêutica, que nos ajuda na concentração, criatividade e até alívio do estresse!

E se você acha que não sabe colorir, deixe este pensamento de lado. Colora para si mesmo e não para os outros!

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DESAFIO: Imprima a imagem da caveira (é só clicar na foto), colora e envie para a gente divulgar no blog, pelo email aquiecultura@gmail.com

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Nunca desista dos seus sonhos

É impressionante como a vida simplesmente faz as coisas acontecerem. Desde novinha, por volta de uns 11 ou 12 anos de idade, eu tinha o sonho de conhecer a Inglaterra, principalmente Londres. Mas, para mim, esse sonho era somente isso, um sonho. Os anos passaram, a vida foi acontecendo e, de repente, no final do ano passado, eu decidi que queria fazer um intercâmbio.

Não vou entrar em muitos detalhes do processo de escolha do País, mas a minha primeira opção não era a Inglaterra, não por falta de vontade, mas porque eu sabia que seria o lugar mais caro, então nem cogitei essa opção. Escolhi Toronto, no Canadá, pois era mais perto de Nova Iorque, outra cidade que sonho em conhecer. Por ironia da vida, o Canadá não deu certo, e tive que partir para o plano B, que na época era inexistente. Avaliei as minhas opções e, para a minha surpresa, o intercâmbio para a Inglaterra não sairia tão mais caro assim.

Decidi não ir para Londres, pois o custo de vida por lá é muito elevado, então escolhi uma cidade no interior da Inglaterra, chamada Bristol. A cidade fica a mais ou menos duas horas de Londres, então eu teria chance de ir e realizar o meu sonho.

Clifton Suspension Bridge em Bristol. É o cartão postal da cidade.
Clifton Suspension Bridge em Bristol. É o cartão postal da cidade. Foto por Laura Raso.

E cá estou eu, escrevendo do meu pequeno e aconchegante quarto, em Bristol. Já estou na minha quinta e penúltima semana e já vivi muita coisa bacana aqui, incluindo a realização do meu sonho, conhecer Londres. Já descobri que sou capaz de fazer muita coisa que achava que não tinha capacidade. Passei por muitos perrengues e tive que sair de todos eles com a ajuda de uma só pessoa: eu mesma. O intercâmbio é sim um aprendizado grande sobre a língua e cultura local, mas é um aprendizado pessoal ainda maior.

O que eu quero dizer com esse pequeno texto é: acredite em seus sonhos! Eles vão se realizar, mesmo que demore um, cinco, quinze ou vinte e um anos (como foi o meu caso). E, principalmente, acredite em você e faça esses sonhos acontecerem.

Esse é só o primeiro de vários textos sobre o meu intercâmbio. Tenho muita coisa bacana para compartilhar! Até o próximo!

Imagens: Por Laura Raso (menos a primeira).

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